Wednesday, July 19

Era a dois que sabia o futuro - era teu o caminho e todas as paragens, todos os bancos de jardim e todas as paisagens sobre o rio. Sabia-te meu, tal como me sabia tua, apenas tua, até ao dia em que seríamos de ninguém. Mas não soube bem; não soube saber que amar por dois só é bonito em poesia e que sonhar a dois o que apenas um sonha, nunca de sonho passará. Hoje sei; nesta hora, pelo menos, sei: talvez daqui a poucas já não saiba - ou, na verdade, finja não saber; porque o amor sempre fala mais alto para quem ama mais, não é assim? Talvez não seja, mas a meus olhos é. Talvez por isso continue sempre aqui, talvez por isso ame sempre mais, mesmo quando sei - sem nunca dizer que sei - que talvez não valha mais a pena fingir que não sei que o que para mim é um amor para o futuro, para ti não passa de um presente que nem certezas de amor hoje tem.

Saturday, April 1

Antes de ti nunca soube o que era amor. Soube gostar, gostar muito, gostar tanto. Gostar de forma tão intensa a ponto de me esquecer do mundo. Gostar mais do que gostar-me, até deixar de me gostar para gostar apenas de outro. Gostava e achava amar; mas não amava. Sabia gostar, sabia gostar muito. Mas não amar; amar nunca soube - sei-o hoje, contigo. Sei que se ama com o tempo, ensinaste-me um dia. Ama-se com os erros, aprende-se a amar apesar dos erros. Ama-se sem deixar de amar-nos e ama-se a cada segundo mais, mesmo nos segundos em que parece não se querer amar. Ama-se mesmo nas noites frias e nos dias chuvosos; ama-se principalmente nas noites frias e nos dias chuvosos. Ama-se até quando dói, até parar de doer. Ensinaste-me a amar; e amas-me; e eu amo, e amo-te; e ainda estou a aprender e quero continuar; a aprender, e a amar. A amar-te.