6.5.13

Inalava o sabor a morango do aroma que perfumava a tua capa e ouvia-te com o agrado de uma noite de sono bem dormida, perdida no azul oceano do teu olhar e deliciada com o brilho que lhe desconhecera até então, tão intenso e saboroso como os primeiros raios de sol que espargem no rio nas manhãs mais solarengas. Transbordava de orgulho e deixei-me abraçar-te, puxando-te com firmeza para perto de mim. Descansei a cabeça no teu ombro e apoiaste a tua na minha, com a delicadeza de um jardim de amores perfeitos a florescer. Arrepiava-me com a proximidade que me tinhas e chorei enquanto me proferias as palavras mais belas que até hoje ouvi. 
“Sabes que és especial. Um orgulho”. 
Abracei-te com ainda mais apego e sorri ao ouvir comentar que juntos éramos até mais formosos que os fados que se ouviam ao longe. 
“Não me soltes”. Nunca.

27.4.13

nothing is as bad as it seems

most times it's worst
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Sorrias-me por entre o fumo do cigarro que desenhava figuras um tanto encantadoras no escuro da noite que corria apressada pela madrugada fora. Já se via no horizonte uma linha de sol a querer perfurar pelas densas nuvens e o frio vento característico dos nasceres dos dias de inverno fazia o meu vestido dançar; eu segurava-o numa intensa luta contra o tecido floreado e ouvia ao fundo as tuas gargalhadas quase inaudíveis. Ria-me perdida na imensidão da tua alma e presa no mágico azul do olhar que encontrava enlaçado em mim a cada vez que o procurava, enquanto tentava não me embaraçar com os meus não tão belos passos de dança. O sol começou a nascer e agarraste-me para dançarmos juntos a única balada que ouvira em toda a noite. Puxaste-me para perto, seguraste-me pela cintura com força e embalaste-me pela sala, abraçando-me como se não mais me quisesses largar. E quis dizer-te o quanto queria dançar contigo todas as noites e sentir o teu aconchego a cada manhã e que eras o melhor de mim. Mas fechei os olhos e abracei-te de volta e demorei a soltar-te. 
“Eu também.”, sussurraste enquanto me beijavas a testa; e eu soube que sentias o que o meu coração te confessava.

yes. it does.

26.4.13

if our love is tragedy 
why are you my remedy?
if our love is insanity 
why are you my clarity?

24.4.13

devaneios das cinco horas

O quarto fervilha em memórias e sublimes melodias gritadas de coração cheio mantêm-me acompanhada entre os rascunhos de amores fugidos que se rompem no abrigo dos lençóis floreados com cheiro a primavera; o perfume a lavanda que inalam faz-me sonhar com jardins de perder a vista e com o reconfortante som de tímidas gargalhadas. Gargalhadas refrescantes e mascaradas de sol como as que nos atravessam e nos acolhem em si a cada manhã, e iluminadas palavras de afecto que me afagam os cabelos como duas mãos carinhosas e doces tal qual o silêncio de um aconchego. E vejo-te nas linhas mais desbotadas dos devaneios que desenho e os mais belos traços que se soltam livremente correm ao teu encontro e sussurram o quanto te gostam num murmúrio quase imperceptível. Tão apagado que o fumo do tabaco que morre na chávena do chá quase o consome. Quase.

21.4.13

"it only hurts when your eyes are open.
lies get tossed and truth is spoken.
it only hurts when your eyes are open,
dreams are lost and hearts are broken."